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Paulo Czrnhak

Gaúcho de Porto Alegre, formado em Administração Hospitalar, com pós-graduação em Gestão de Saúde Pública, Paulo Czrnhak é, desde junho de 2011, diretor geral do Hospital Regional do Sul e Sudeste do Pará, em Marabá, administrado pela empresa Pró-Saúde. Ouvido pela Foco, ele fala nesta entrevista, entre outras coisas, sobre o investimento de R$ 12 milhões previsto para aquela unidade e como vê alguns gargalos da saúde pública em Marabá.

FOCO – O senhor está completando seis meses à frente do Hospital Regional, dá pra avaliar que houve avanços neste período?

Paulo – Estou dando continuidade à gestão que vinha sendo executada. A Pró Saúde tem um modelo de gestão definido e consolidado, primando sempre pela excelência na assistência e pela transparência administrativa. A eficácia deste modelo fica evidenciada através da avaliação dos usuários. Em 2011 a média de satisfação no conceito bom e ótimo foi superior a 95%, índice alcançado, geralmente, apenas em instituições da rede privada.

FOCO – O que, no entendimento do senhor, está garantindo esta satisfação?

Junto com essa gestão eficaz, temos um corpo clínico altamente qualificado, considerado entre os de melhor nível técnico no Estado; um corpo de enfermagem altamente capacitado, além de serviço de fisioterapia integral e serviço de apoio e diagnóstico funcionando 24 horas, com agilidade e precisão. Temos buscado também uma aproximação com a sociedade. Ano que vem, já a partir do primeiro trimestre, estaremos implantando o projeto “Comunidade Amiga do Hospital”, que em conjunto com o Conselho Municipal de Saúde e lideres de bairro, desenvolverá atividades para aproximar mais ainda o HR da comunidade. Nossa meta é certificar o hospital ainda em 2012, junto à ONA (Organização Nacional de Acreditação).

FOCO – Está previsto um investimento de R$ 12 milhões no Hospital Regional, uma obra de ampliação prevista para começar ainda este ano. Como está o processo?

Paulo – O processo está dentro do cronograma estabelecido. Um projeto de ampliação deve obedecer a várias etapas, para assegurar que seja inteligente e funcional. A etapa de arquitetura básica está concluída e com parecer favorável da Vigilância Sanitária do Estado. Os projetos complementares deverão ser concluídos ainda em 2011. Após estas etapas, teremos a contratação da empresa que executará a obra.

FOCO – Houve alguma alteração na proposta inicial? Como se dará esta ampliação?

Paulo – Sim. No decorrer das discussões do projeto, a Pró Saúde apresentou uma proposta de ampliar de seis para dez os leitos de UTI Adulto, o que representa um ganho imensurável. Tivemos outras alterações, que não estavam no projeto inicial, como a inclusão de mais duas salas no Bloco Cirúrgico, visando já a implantação de cirurgias cardiovasculares; criação de mais dois leitos na sala de acolhimento para atendimento de pacientes de urgência, equipada com estrutura tecnológica para atendimento de pacientes graves; uma segunda sala para laudos de exames de imagem com sistema de PACS; e a transformação de cinco leitos de internação em leitos semi-intensivos.

FOCO – Quando o senhor acredita que a obra será inaugurada e o que a direção do HR espera de resultados efetivos em face da nova estrutura?

Paulo – O cronograma prevê que em agosto de 2012, 100% das obras já estejam prontas. A ampliação do Hospital, projeto do Governador Jatene, beneficiará em sua abrangência uma população de mais de um milhão de habitantes, nos 22 municípios que fazem parte da nossa jurisdição, com incremento de mais 30 leitos de internação, 10 leitos de UTI, o que significa vagas para mais de 300 pacientes; além disso, passaremos a contar com 10 máquinas de hemodiálise e a implantação do serviço de hemodinâmica, que irá reduzir transferências de pacientes cardiopatas para Belém.

FOCO – O senhor veio de Canoas, no Rio Grande do Sul, onde gerenciava um hospital muito parecido com o de Marabá. Fazendo um rápido balanço, está sendo mais fácil ou mais difícil o trabalho por aqui?

Paulo – Gerir uma Instituição de Saúde, independentemente do seu porte da ou região onde está inserida, sempre é um grande desafio. No Hospital de Canoas, referência regional para a região metropolitana de Porto Alegre, tivemos a vantagem de colher bons resultados. Ali, juntamente com uma equipe multidisciplinar, planejamos e fizemos a implantação da unidade, que também passamos a operacionalizar em 2005. Tivemos várias conquistas, entre elas, o reconhecimento pelo Ministério da Saúde, como melhor Hospital SUS do Estado do Rio Grande do Sul, avaliado pelos usuários. O Hospital Regional de Marabá alcançará estes resultados em curto prazo, em razão de sua gestão profissional e as prioridades que estão sendo dadas pelo Governo atual à Saúde de média e alta complexidade dessa região.

FOCO – Quantos pacientes passam pelo HR, em média, todos os meses, e qual o percentual médio de leitos que se mantêm ocupados?

Paulo – O HR atende em média 330 pacientes internos, dois mil pacientes externos de consultas especializadas com procedimentos, além de exames de alta complexidade, dentro das especialidades de Cirurgia Geral, Otorrino, Oftalmologia, Cirurgia Pediátrica, Neurocirurgia, Bucomaxilofacial, Traumatologia/Ortopedia, Clínica Médica, Urologia, Cirurgia Vascular, Cirurgia Plástica, Angiologia, Cardiologia, Pediatria, Nefrologia, infectologia, Anestesiologia, Gastroenterologia, Neonatologia, Intensivistas e Medicina de Imagem.

FOCO – O hospital atende pacientes de outros municípios. Qual a proporção dos pacientes de Marabá em relação aos que vêm de outros lugares?

Paulo – Marabá representa uma média de 70% dos atendimentos realizados no Hospital Regional.

FOCO – Qual é o quadro de profissionais atual do Hospital Regional?

Paulo – Atualmente temos 520 profissionais, entre prestadores de serviços e celetistas.

FOCO – A privatização da saúde pública é uma tendência que se confirma em muitas regiões do País. Quais seriam as vantagens e desvantagens, na sua avaliação, da terceirização do serviço, tal qual já ocorre no Pará?

Paulo – É verdade. Há uma tendência de terceirização, em razão da excelência que se busca na saúde pública. Com os resultados que as OSs [Organizações Sociais de Saúde – ou entidades que terceirizam o serviço] estão gerando na área hospitalar, fazendo mais com menor recurso, garantindo o acesso da população, através de medicina qualificada e resolutiva, transparência administrativa, é inevitável essa evolução.  Estudos publicados sobre esse modelo de gestão confirmam as vantagens e, por essa razão, a tendência.  Na minha visão, o ente público, tendo a capacidade de escolha por um prestador qualificado tecnicamente, só terá vantagens.

FOCO – Aqui em Marabá, a administração municipal tem cogitado terceirizar a saúde, o senhor considera que seria uma medida acertada?

Paulo – Sim, vejo como uma decisão positiva. Terceirizar a gestão da saúde significa promover a sua profissionalização.  Temos vários estudos comprovando que as OSs têm modelos de gestão que garantem melhor os resultados esperados pelos usuários.

FOCO – O município enfrenta um problema histórico de falta de médicos. Via de regra, os bons profissionais não escolhem atuar no interior, preferindo a capital. Há uma saída para esse problema?

Paulo – Este é um desafio muito grande, sem dúvidas. A razão da preferência dos médicos especializados pelos grandes centros não é só financeira. Deve-se também, muitas vezes, à falta de condições adequadas e seguras para o exercício da medicina no interior É preciso pensar na implantação de serviços especializados, cujo projeto seja atrativo, em que eles vejam a oportunidade de crescimento profissional.

FOCO – A saúde, ao lado da segurança pública, é um dos setores que mais preocupam as autoridades no Pará, com gargalos de difícil solução. O senhor acredita que nos próximos anos essa realidade possa melhorar?

Paulo – Acredito que haverá avanços, no que diz respeito à média e alta complexidade, que é de responsabilidade do Estado. São melhorias que já começam em 2012, com os investimentos do atual Governo na ampliação do Hospital Regional. A ampliação com os novos serviços que serão implantados vão proporcionar, além do acesso de mais pacientes, a redução das demandas reprimidas, com menor tempo de espera para a população do Sudeste do Pará. Vale ressaltar, entretanto, que, conforme a Constituição Federal, a responsabilidade da saúde está nas três esferas de Governo: Federal, Estadual e Municipal. Assim, os resultados dependem muito do cumprimento da responsabilidade de cada esfera. Os municípios devem trabalhar a promoção da saúde básica, atender a baixa complexidade e o estado à média e alta complexidade. Quando a saúde básica não recebe a atenção necessária com programas de prevenção e de monitoramento contínuo, o efeito repercute nos hospitais. E o custo financeiro e social nesses casos é imenso.

Atuação em São Paulo e Rio Grande do Sul

Paulo Czrnhak (lê-se Cê-Zernhac) tem 46 anos e atua na Pró-Saúde (empresa terceirizada que administra o Hospital Regional), desde 2009. Antes de vir para Marabá, ele respondia pelo gerenciamento de um hospital na cidade de Canoas (RS), referência para uma população de 1,5 milhão de pessoas. Uma de suas primeiras experiências pela Pró-Saúde foi a administração de uma maternidade pública, que ele mesmo implantou, em 2010, na cidade de Arujá (SP).

Czrnhak foi indicado para a direção do HR de Marabá em substituição à Alba Lúcia de Menezes Sá Muniz.

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